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Manuel Morais nasceu a 8 de Abril de 1933 na freguesia de Paranhos - Porto, já sob o governo de Salazar, empossado primeiro-ministro desde 5 de Julho de 1932, era então presidente da República o general Carmona. Pessoa de delicadíssimo e afectuoso trato, o doutor Júlio Couto, emérita personalidade da cultura portuense, descreve-o como a seguir se regista.

Já lá vão mais de 50 anos quando nos conhecemos. Tinha-me estreado a dizer versos e a fazer teatro com seis anos e, dali em diante, achava-me no direito de ir a todo o lado onde houvesse espectáculo ao vivo e que se apresentasse dentro do raio económico da minha magra bolsa. Foi assim que assisti à récita do Manuel no pequenino palco do Patronato da Vitória. Representava, cantava, vivia apaixonadamente cada papel que lhe cabia, com um dinamismo, uma alegria, um entusiasmo difícil de igualar. Afinal as mesmas qualidades que continua a manter 50 anos após a sua profissionalização. Portuense, nascido em Paranhos e criado na velhinha freguesia da Vitória, nunca quis renegar as suas origens, como também nunca se recusou aos que dele precisam; que o digam as centenas de espectáculos a favor de colectividades ou casas de solidariedade social.

Para ele a vida é igual a público, palmas, música e palco. Cada espectáculo é uma festa renovada, quer para ele, quer para os espectadores. Mesmo quando só vai para cantar, não esquece a sua costela de actor e deixa vir à superfície o «show-man» que conta, canta e encanta. Inevitavelmente aparecia no Combóio Foguete, no Carrossel da Alegria, nos pogramas de Música Portuguesa da ex-Emissora Nacional, nos serões para trabalhadores da extinta FNAT, no teatro de revista e em milhares de espectáculos por todo o país, com deslocações destacadas em Espanha, França, Alemanha e Suíça.

Entre tantos momentos altos da sua carreira destaco três, pela justiça que envolveu Manuel Morais: a participação no programa televisivo de Herman José, realizado em Lisboa, na RTP, ao Porto dedicado, e a homenagem de que foi alvo na «Grande Noite do Fado», em 1993, quando a Casa da Imprensa lhe outorgou o «Troféu Gratidão». Também o permanente reconhecimento de «A Voz dos Ridículos», com quem colabora há tantos anos e que sempre o baptizou como «O Rei da Alegria Popular».

Com mais de 50 discos gravados, continua a ser uma presença constante nos palcos mais afamados ou nas festas populares em qualquer canto de Portugal. É um artista do Povo e para o Povo. Brejeiro, alegre, todo coração, assim é Manuel Morais.

Dr. Júlio Couto



Cantas tu e canto eu
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